JR e maldição murium

Livro de J. Alves

[...] Tio Carlos olhou para a lua cheia que afastou a nuvem com as mãos e voltou a brilhar com intensidade. Apoiou-se no archote, mas seu corpo foi morgando e morgando até cair no chão e enrolar-se em torno do archote como se fosse um feto no ventre da mãe. Como se de animais fosse invadido, grunhiu, berrou, coaxou, gemeu de gozo, xingou, gritou de cobiça, avareza, luxúria, inveja, ira, gula, preguiça... No meio daquela confusão, foi como se um corpo despencasse do alto e fizesse um “ploff!” balofo no chão. Ele soltou um grito lancinante. Seu capote branco converteu-se em pêlo preto, luzidio, e três manchas surgiram em suas costas. Chiava e rodopiava no ar... no meio do redemoinho. Sua máscara partiu-se, os braços e as pernas se transformaram em patas... E seu rosto já não era de gente mas de uma ratazana velhaca e arisca... E corria em círculos querendo vencer a barreira das chamas dos archotes, que viraram anéis de fogo e estrelas de cinco pontas. [...]
J. Alves autografa o seu livro JR e a maldição murium na Bienal Internacional do Livro em São Paulo, em 2006.









J. Alves autografa o seu livro JR e a maldição murium na Bienal Internacional do Livro em São Paulo, em 2006.






Lançamento de JR e a maldição murium, em Passos, por ocasião da inauguração da Biblioteca J. Alves.
Foto: NIlo Machado
 


Comentário da Profa. Dra. Ana Dorotéia 

JR e a maldição de murium. ALVES, J. São Paulo: Cortez, 2006, 232 páginas.


“Na literatura, nada é gratuito. J. Alves apresenta-nos em JR e a maldição de murium uma nova fase de sua produção literária em seu novo momento histórico. A realidade não lhe escapa, mas ela é revestida de uma peculiar visão de mundo. Esta visão poderia ser chamada de real maravilhoso, realismo mágico, realismo místico ou fantástico. Todos ligados à América Latina, mas que, de certa forma, encontramos na obra. Não importa a nomenclatura ou classificação, mas, sim, a sensibilidade com que J. Alves busca a fonte mística, exuberante e exótica da realidade brasileira. Numa linguagem descontraída e atualizada, o autor leva-nos a percorrer com JR diversas trilhas fantásticas na busca da quebra do encantamento de um amuleto. O autor leva-nos do riso ao suspense, da curiosidade à expectativa de desfecho. Na leitura, aliamo-nos a amigos de JR em sua batalha de libertação de si mesmo e de Tio Carlos da maldição de murium. O texto, porém, induz-nos a diversas leituras. Em determinadas passagens, o conteúdo é muito mais denso que a expressão das palavras. As alusões remetem-nos a outros contextos, o que imprime nas palavras sentido mais amplo. Isso pode ser percebido nos “restinhos” ¬– feitos inacabados – que deixamos ao longo das trilhas que palmilhamos, ou de nossa grande ansiedade de decifrar os enigmas da vida em busca de nossa própria libertação. A vida presenteia-nos com um amuleto encantado. Cabe a nós exorcizarmos seus demônios e buscarmos nossa realização e paz interior na convivência sadia com os que nos cercam. Para tanto, sempre podemos contar com nossos familiares e amigos. JR e a maldição de murium é uma obra que recomendamos.”


Foto: Nilo Machado.
Cena da apresentação teatral com base no livro Jr e a maldição murium, realizada pelo grupo teatral...


Foto: Nilo Machado.
Cena da apresentação teatral com base no livro Jr e a maldição murium, realizada pelo grupo teatral Maria Carolina.
Ano de publcação:
2006
Editora:
Cortez Editora
Edição:
1
Opções de compra:
ISBN:
85-249-1193-X
Número de páginas:
232
Categoria:
Romance
Comentários (4)>>Clique aqui para comentar
Paula Cristina
eu estava lá,nessa noite de autógrafos,inclusive eu
comprei um livro e ele é autografado,eu me lembro muito
bem,nessa época eu estudava nessa escola,eu me
lembro que fizemos um coral de 12 crianças para cantar
em homenagem ao J.Alves,e eu fazia parte desse
coral,esse dia foi um máximo.
02/12/2009
maciel estanislau alves
fiquei contente de descobrir este site ele me deu a chance de descobrir suas novas obras. abraço seu primo maciel
21/07/2009
juan antonio
La mayoría de las personas ya escribieron alguna cosa, pero pocos se animan a mostrar lo que han escrito, tal vez por el pudor que brota de la timidez o por temor al rechazo. Es que escribir relatos, equivale a colocarse en evidencia.
En esta gran obra el autor se coloca en evidencia, desnuda su interior, por eso vale la pena ser leída. Y por que digo que JR e a maldição murium es una “gran obra”, considero un cuento un relato como gran obra si el mismo tiene algún tipo de impacto en el lector, y está en particular hizo contacto con mi dimensión de fantasía. Paralelamente con la lectura completé los detalles que faltaban de las casas, siento que puedo reconocer los personajes, a JR a tío Carlos si los encuentro en la calle los ifdentifico, de alguna manera me transporté a ese mundo fantástico.
Recuerdo que la primera experiencia en ese sentido la tuve cuando leí Alicia en el país de las Maravillas de Lewis Carroll, a partir de ese día nunca la dejé de pasar por esa experiencia ante una Gran Obra.
29/04/2009
Ana Rita
Li e recomendo! Muito bom o livro. Parabéns J. Alves.
16/03/2009
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