O Escritor

J. Alves

Carmo do Rio Claro - MG





Sou J. Alves, natural de Carmo do Rio Claro, MG. Nasci na Fazenda Raizama, em casa e pelas mãos de uma parteira muito requisitada na região, no dia 1º de abril de 1949, tenho 13 irmãos, sendo 11 irmãs e um único irmão. Aos nove anos de idade, minha família mudou para Passos. Depois de alguns anos morando em fazendas, onde meu pai era administrador e agricultor, a irmandade passou a morar na cidade, espalhando-se pelos bairrros próximo à atual Escola Municipal Professora Luzia de Abreu Silva, cuja Biblioteca atualmente traz o nome “Biblioteca J. Alves”.

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Foto: Nilo Machado.
Painel montado pelos alunos da Escola Escola Municipal Professora Luzia de Abreu Silva como parte dos preparativos para a visita do escritor J. Alves à Escola. 

Embora seja eu carmelitano, guardei pouca vinculação com aquela cidade, e ela na minha mente permanece do tamanho da casa de minha avó e da casa dos meus tios e primos que lá moram e nada mais. Não sei se Carmo do Rio Claro sabe que o escritor J. Alves existe. Mas ainda sinto saudades de lá. Por outro lado, Passos se fez minha cidade por adoção.

Eu vi Passos crescendo, se expandindo por todos os lados... Os bairros Bela Vista, Jardim Colégio de Passos, São Benedito, especialmente, são páginas que foram sendo escritas à minha vista, à vista de meus irmãos e parentes, amigos e gente conhecida, das quais muitos já não se encontram entre nós...


Sou filho de Antonio Augusto Alves e Maria José Alves. Há alguns anos deixei a cidade de São Paulo, onde morei por mais de 30 anos, onde estudei, me formei, me casei, tive meus filhos e publiquei meus livros. Resido hoje em Batatais, SP, no Jardim Elena, a pouco mais de 500 metros da Faculdade onde trabalho. Cada vez mais estou me apaixonando por esta cidade, onde estamos fazendo amigos. Em Batatais é possível uma qualidade de vida melhor, por cujas avenidas e praças se pode caminhar sossegado, sem os atropelos próprios das cidades grandes. Em Batatais é possível viver bem.

Foto: Nilo Machado.
J. Alves recebe homenagem dos alunos da Escola Municipal Professora Luzia de Abreu Silva 

Sou psicopedagogo pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais (SP), licenciado em Letras, pela Faculdade N. S. Medianeira (SP), licenciado em Filosofia, pela Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo (RS), graduado em Teologia, pelo Itesp (SP). Todas estas formações, inclusive a teológica e a filosófica, têm servido de base tanto para meus escritos como também para o exercício de minhas funções enquanto profissional no Centro Universitário Claretiano.

Minha esposa chama-se Fátima Maria Soares Alves, uma cearense arretada na segunda acepção do termo no Houaiss, competente no que faz, ladina, que adora jogo de cartas. Adoro ela. É o grande Amorzeiro de minha vida, como está descrito no meu livro, A arte de cultivar o afeto, que foi publicado pela editora Parábolas e que no ano que vem sairá pela Editora Cortez, a mesma que publicou o livro JR e maldição murium, lançado na 14 Bienal Internacional do Livro no ano passado, onde pude contar com a presença de uma caravana de amigos e colegas de trabalho de Batatais que prestigiaram o meu lançamento no estande da Editora Cortez, o qual foi um sucesso.

Tenho três filhos, todos paulistanos, um dos quais, Saulo, sobrevive apenas na saudade que nunca morre. Os outros dois, Igor e Maíra, sabem muito bem o que significa “abraçar o diabo” em uma cidade como a agitada Paulicéia, em que o perto é longe e o longe quase toca a gente. No começo estranharam muito viver em uma cidade em que tudo é perto mesmo, e o longe é longe mesmo.  Ambos os dois já se sentem muito à vontade em Batatais, e penso que já não a trocariam pela capital paulistana, pois aqui sentem-se mais livres e menos ameaçados pelo medo que gera a violência. E aqui estão descobrindo o que significa gostar de alguém.

Fui e ainda sou um menino de roça, filho de uma família sem recurso financeiro, mas com muita riqueza espiritual e muita gana para vencer apesar das dificuldades. De modo geral todos se acertaram na vida. A escola ficava distante e não tinha condução. Íamos a pé, de madrugada e andávamos horas e horas. Algumas vezes pegávamos carona na charrete do Juca Baiano, em cuja venda comprávamos doce de leite e doce sírio. A escola era pobre, sem recursos materiais e humanos, não tinha livros.

A professora chamava-se Conceição da Trindade. Visetei-a quando ainda era viva e ela ficou muito emocionada por ver que seu menino de roça tinha conseguido ir para o Seminário estudar pra padre. Mas ela já estava muito velhinha. Não quis lhe contar que uma vidente me disse que um dia deixaria a batina e me imergiria no mundo em busca de mim. Menino, tive então o privilégio de viver em contato com a natureza, apanhar frutas dos galhos das fruteiras, mexer com vacas, porcos, galinhas, cachorros, cavalos, pescar em corgos, chupar melancia na roça... Hoje nas cidades grandes muitas crianças perderam este contato com natureza, não sabem o que é subir em uma mangueira, numa goiabeira, correr de maribondos, esfregar-se de formigas, passar rente em cerca de arame farpado para fugir de vaca brava, tomar leite no curral, tomar chuva e ficar com a roupa enxarcada e ensopada e no final das tardes escutar arrepiado casos de assombrações ou cantorias de viola etc. Para muitos este mundo já não existe, mas para mim é uma realidade que ainda permanece viva em minha memória. O que eu estou querendo dizer é que escrever é de alguma maneira um retorno à infância, ao menino ou à menina que se foi, ao gosto da fruta e do doce que se experimentou e nunca mais se esqueceu, às peraltices que fizemos.

Minha mãe é analfabeta em letras, mas fez doutorado na vida, subiu e desceu muitas trilhas existenciais. Sabia muitas histórias e contos de fadas. Nisso ela discorria com propriedade. Sempre contava uma história de uma Jumentinha Encantada, De uma princesa enfeitiçada que virou rolinha; de Pedro Malazarte e suas estripulias, de um Homem que corria tanto, que precisava amarrar cipós nas pernas para não exagerar; de Ana Bolena; das Três princesas que queriam casar com um príncipe, etc. e meu pai, um autodidata da vida, o que aprendeu aprendeu de si e por si mesmo, não precisou de escola, um xamã meio que místico e penitente, que dormia sobre tábuas e que sentia fogo queimando seus pés, além de contador de histórias, cultivava a leitura. Lia frequentemente o almanaque chamado Ecos Marianos, livros de santos, livros de rezas. Ele tinha um velho livro bem grosso, que depois fui saber ser de Moneiro Lobato. Mesmo sem ainda saber ler, eu o pegava e ficava folheando e olhando as figuras e minha imaginação galopava por aqueles gerais subindo e descendo montanhas e atravessando rios, pinguelas e desfiladeiros.

Embora muito pequeno, por volta dos 10 anos de idade, comecei a trabalhar na fazenda, cuidando dos porcos e, com o dinheiro de meu ordenado, meu pai comprou um radinho de pilha, por onde acompanhávamos emocionados uma novela chamada “Jerônimo, o justiceiro do sertão” e ouvíamos casos de assombrações. Um dia escutando o Repórter Esso soubemos da catástrofe com um circo norte-americando que pegou fogo e muitas pessoas ficaram feridas e morreram. Angustiado com a notícia, peguei um papel e escrevi: “Isto foi acontecido,/ no derradeiro do ano/ na cidade Niterói,/ o circo norte-americano”... Esta foi a minha primeira e ingênua produção literária. E este versinho foi a única coisa desse fato que me sobrou na memória. O resto se apagou. Mas muitos de minha família ainda se lembram destes “versos”.

Com o tempo, meu pai percebeu que eu era muito ruim de enxada, que não dava para roça e nem para roçado, talvez nem para retireiro ou terreireiro. Ele mesmo resolveu fazer uma experiência em trabalhar como marceneiro. Fomos morar em Alfenas. Virei catador de estrume de cavalo. Vendia à medida de uma lata de querosene nas casas que tinham jardins. E foi lá que me interessei pelo seminário. Apareceu na cidade um padre vocacionista, amigo de uns conhecidos nossos, fez a propaganda. Ajuntamos uma turma e partimos decididos para o Seminário Paulino, na capital paulista. Tinha 13 anos. Esta foi decisão que haveria de marcar e marcou toda a minha vida.

Um mundo desconhecido, composto por pessoas provenientes de vários Estados. Horários rígidos, disciplina, hora para trabalhar, para rezar, para estudar, para comer, para dormir, para meditar, para ouvir música clássica. Controle do que se comia, do que se bebia, lia, estudava, ouvia... Foi também um tempo de grandes amizades, das quais algumas permanecem até hoje. Tempo de aprendizado tipográfico, editorial... Daqueles tempos de seminário poucos foram os que chegaram ao sacerdócio, porém muitos foram os que aprenderam as artes gráficas e se tornaram exímios profissionais assumindo postos de comando em editoras e gráficas ou abrindo seus próprios negócios no ramo editorial.

A vida muito tem me dado, o que supera todo e qualquer merecimento. Assim, pude ter acesso aos livros, ao conhecimento. Foi lá que comecei a ter contato com escritores, como Júlio Verne, Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, Mário Palmério, Henri Sienkiesvsky e muitos outros, além das obras de formação intelectual e espiritual. Foi me dado uma oportunidade, pois a todos é concedida uma iluminação interior, e por esta luz pude caminhar e perseguir meus sonhos pela vida inteira.

Passei minha vida toda em meio a livros, por isso aprendi a gostar deles, a respeita-los, a entendê-los. E quando se aprende a gostar dos livros ficamos doentes por eles. Eles se tornam “objetos transcendentes”. Amo de paixão os livros. Tocá-los, folhear com delicadeza suas páginas. Sentir o cheiro do papel novo ou já envelhecido e da tinta fresca ou já esmaecida. Sentir a textura das páginas, o jogo das palavras e das idéias, o atropelo dos personagens escondidos nas trilhas das letras. Brincar de gangorra no vai e vem das frases, subir ao balanço como criança e se soltar na rede frágil das palavras! Descansar à sombra das frases, formando arvoredo, mergulhar-se nos riachos das metáforas. Sonhar pelas trilhas das letras nascentes e poentes e seguir em frente... tudo isso funciona como um vírus de uma doença que se contrai e nunca mais se alcança a cura. Escrever é também uma forma de felicidade ou ao menos de iludir as próprias ilusões.

Aprendi isso trabalhando na tipografia do Seminário Paulino, e delá pra cá, me apaixonei pelos textos e descobri que os livros são criaturas generosas, carentes, divertidas e fingidoras da arte de viver. Lê-los é preciso, escrevê-los não é preciso! Os livros são como pessoas. Imagine um mundo em que os habitantes são livros. Há de todos os tipos e de todas as espécies: livros-crônicas, livros-poesias, livros-romances, livros-policiais, livros-dramas; livros-dicionários, livros-ancestrais, livros-religiosos, livros-filósofos, livros-pornôs, livros-assassinos em série, livros-masculinos que parecem femininos, livros-femininos que parece masculinos, livros-massudos, livros-finos, livros-arte, livro-processores, livros-bandidos, livro-apaixonados, livro-desesperados, livros-suicidas, livros-pobres, livros-doentes terminais, livros-enfermos, livros-tiranos, livros-cruéis, livros-moralistas, livros-vazios, livros-repletos, livros peregrinos, livro confinados e presos nas bibliotecas, na casas, livros-escravos, livros-livres, livros-alheios que não parecem livros... Imagine livros que se rebelam, que se indignam, que se acostumam às tiranias, às corrupções, às mentiras, aos engodos, às vaidades, aos destemperos... Os livros são a nossa imagem e semelhança, as marcas do espírito lhumano ao longo da história humana.


Foto: Nilo Machado.
Algumas fotos significativas.


Este é o meu mundo. E se sei fazer alguma coisa é mexer com as letras, com o texto. Semeio letras, cultivo letras, colho letras e com elas amasso o pão de cada dia. Devo isto aos meus anos de seminário e de vida religiosa. Pois foi lá que publiquei meu primeiro livro: Amanhã será melhor. Foi lá também que ganhei meu primeiro literário, como o livro Roda: roda viva.Foi lá que aprendi que escrever faz bem para a mente e para o espírito. Escrever é um gesto de sanidade mental, uma eterna busca de equilíbrio entre o desespero, o nonsense, entre vida e morte. O escritor escreve para permitir que seu espírito se eleve e respire para suportar a sua condição de existir, ou seja, de permanecer fora de seu ser, como se fosse possível ao peixe existir fora das águas que o mantém.

Minha paixão pelos livros me levou a trabalhar em várias editoras (Paulus, Loyola, Ícone, Ave-Maria, Paulinas, Atlas) e no próprio Senai, onde permaneci como Técnico em Educação, cerca de 10 anos, mexendo com textos para projetos de cursos profissionalizantes presenciais e EAD.

Já tenho publicados 32 títulos. Alguns destes ainda continuam em catálogo. É o caso de Amanhã será melhor cuja mensagem após 30 anos ainda continua. O que significa que as coisas escritas com as verdades do coração são perenes.


É o caso também de Os santos de cada dia que se encontra na 10ª edição e continua sendo um dos livros mais vendidos no segmento religioso após 17 anos do seu lançamento, em 1990. Outras se esgotaram e não foram mais publicados.

Entretanto, em todos livros publicados existe uma preocupação com a re-significação dos eventos existenciais que afeta o ser humano. Há um vazio de sentido, um sentimento de incompletude que angustia o ser humano. Este sentimento parece se aguçar na alma do escritor, impelindo-o a dar conta de si mesmo. Para isso, ele procura a ponta para chegar ao novelo e desenrolar a meada de sua existência. Construir redes, tecê-las e armá-las no vazio de si mesmo.

Quem escreve faz isso para driblar a falta de sentido e encontrar razões para essa travessia sinuosa que a existência é. E a existência sou-lhe como algo estreito qual desfiladeiro, algo que aperta e restringe entre a dor e a alegria, entre a ventura e a desventura, entre o encanto e o pavor, entre a vida e a morte. Pela própria condição de seres limitados ao tempo e ao espaço, temos dificuldades em reconhecer de pronto os dois lados da mesma moeda, o direito e o avesso dos lados das coisas, por isso estabelecemos pontes, tecendo com as palavras nossas frágeis teias de entendimento.




Crônica existencial

1.Amanhã será melhor. Edições Paulinas, 1977, 1981, 104 p; Traduzido para o espanhol com o titulo de Amaneceré mejor, por Ediciones Paulinas, Buenos Aires, Argentina, 1976. Relançamento pela Editoria Ave-Maria, em 1996, 104 p. (Auto-ajuda)

Infanto-juvenis
2.A arte de cativar o afeto. Parábola Editorial, 2003, 72 p.
3.Roda, roda viva. Edições Paulinas, 263 p. Romance regionalista.
4.JR e a maldição murium. Cortez, 2006, 232p.

Biografia
5. O papa que veio de longe. Edições Paulinas, 1979. 96 p. (ilustrado)
6. João Paulo II: vida, obra, viagens. Edições Paulinas, 72 p. (ilustrado)
7. Amigos para sempre. Edições Paulina. 110 p. (Vida de João Paulo II para as crianças)

Teologia pastoral
8.A fé nossa de cada dia: explicação do credo em linguagem popular. Edições Paulinas, 1985, 264 p. Traduzido para o Espanhol com o título Nuestra fé de cada dia. Ediciones Paulinas, Argentida, 1988, 216 p. e pela Ediciones Paulinas, Madri, Espanha, 1986, 212 p.
9.Recordando minha crisma. Paulus, 2002, 50 p. Ilustrado

Efemérides
10. 30 dias com a amizade. Paulus, 1994, 32p. Ilustrado
11. 30 dias com Deus. Paulus. 1998, 32 p. Ilustado.
12. 30 dias com o amor. Paulus, 1995, 32 p. Ilustrado.
13. 30 dias com o Natal. Paulus. 1994. 32 p. Ilustrado.
14. 30 dias com minha mãe. Paulus, 1994. 32p. Ilustrado.
15. 30 dias com a vida. Paulus, 1996, 32p. Ilustrado.
16. 15 anos: tempo de menina-mulher. Ave-Maria, 1996, 80 p.
17. Assim é o amor. Edições Paulinas, 1980 (várias edições), 24 p. Ilustrado. Traduzido para o espanhol, com o título Asi és el Amor, em 1986. 24 p.
18. Mãe, teu nome é ternura. Edições Paulinas,

Hagiografia
19. Os santos de cada dia. 1990. Paulinas. (10 edições), 760 p.
20. Testemunhas de Cristo: itinerário de oração e de fé.Paulus. 1996, 152 páginas.
21. Cinco minutos dos Santos. Ave-Maria, 2003. 792 p.
22. Santa Rita de Cássia. Novena e biografia. Paulinas, 2002, 50p.
23. Santa Edwiges. Novena e biografia. Paulinas, 2002, 50p.
24. Santa Luzia. Novena e biografia. Paulinas, 2002, 50p.
25. Santa Paulina. Novena e biografia. Paulinas, 2002, 50p.
26. São Benedito. Novena e biografia. Paulinas, 2002, 50p.
27. São Geraldo Majela. Novena e biografia. Paulinas, 2002, 50p.

Tema Família
28. Família: quem ama não descuida – História e segredos de amar e de bem-querer. Edições Loyola, 2003. 54p
29. Família: respeito é fundamental... ou como conviver com a rebeldia – História e segredos de amar e de bem-querer. Edições Loyola, 2003. 72p.
30. Família: aprender a tolerância e aceitar a diferença – História e segredos de amar e de bem-querer. 64p Edições Loyola, .
31. Família: na vida, a nossa melhor parte – História e segredos de amar e de bem-querer. Edições Loyola. 64p.
32. Família: santuário em que milagres acontecem – História e segredos de amar e de bem-querer. Edições Loyola. 56p.
33. Manual de material didático
34. Curso EAD SENAI

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