Literatura serve para educar?

Texto de J. Alves postado em 28/07/2009
Pela leitura que fiz descobri que JR tem um grande valor literário e tem também um objetivo educativo. É isso mesmo? O que o inspirou a escrever JR?

Gostaria que as pessoas lessem JR e a maldição murium e se divertissem com o lúdico da história e, ao mesmo tempo, se encantassem com o mistério da vida que a tudo ultrapassa e nos eleva acima dos murium. A vida é o tudo. O encantamento diante do belo é que tem um poder libertador e totalizante.
Reproduzo aqui as palavras do grande mestre do romance, Fiódor Dostoievski:

"A necessidade da beleza e da arte que a personifica é inseparável do homem, e sem ela o homem possivelmente não desejaria viver no mundo" (Dostoiévski, G-bov. e a questão da arte".

JR e a maldição murium não tem pretensão de educar e seu objetivo não é educativo. Não creio que a literatura possa educar alguém, no sentido de “fazer-lhe a cabeça”.
O discurso utilitarista é um discurso menor e padece das limitações e contradições de um pensar já pensado, portanto fechado em si e subserviente aos interesses de classes.
A literatura está acima de tudo isso.
A inspiração de JR, conforme já foi comentado, originou-se de uma situação familiar e locado numa cidade grande, onde os restos de coisas e de gentes se tornam mais evidentes.
Numa cidade em que há cerca de seis ratos por habitante e as pessoas muitas vezes vivem de restos, fica fácil imaginar uma história em que o personagem sofre a maldição dos íncubos e súcubos, que eram espíritos que sugavam a energia vital de homens e mulheres e que se travestiam de ratos.

Vania A. G. Figueiredo. Monografia sobre a obra JR e a maldição murium.

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